quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Para o meu ex (ou a necessidade de desabafar)



           Estou muito bem, obrigada, apesar de você - centrado apenas em você - não ter me perguntado. Os gatos também estão ótimos, mais lindos e mais carinhosos do que jamais sonhei (lembra deles? Porque parece que não).
                Te ver me fez retomar alguns pensamentos, o que é normal (mas acho que talvez você seja incapaz disso). Primeiro queria que você soubesse que estou muito bem com o caminho das coisas na minha vida. Esse tempo sozinha me fez voltar mais para mim e tenho amado esse momento e aprendendo a me amar mais também. Estou ainda em dois empregos e com algumas propostas, tenho me aprimorado mais na minha profissão e me sentido mais segura com ela e comigo mesma.
                Te digo que sinto um grande alívio por não termos dado certo, porque os caminhos que estávamos traçando não eram os caminhos que queria. Nunca quis ter filhos e me sinto MUITO feliz por não ter uma vida dependendo de mim 24 horas por décadas. Digo que essa minha crise dos 30 foi uma insanidade temporária. E caso tivesse um, seria a base de um bom planejamento e estabilidade financeira, como tentava fazer conosco. E te digo mais, sempre tive a impressão que você nunca soube aproveitar o tanto que eu tinha a oferecer, porque você é um egoísta escroto do caralho mesmo, e eu sempre tive a impressão que você nunca tinha muito a me oferecer, imaturo demais, vazio demais. Falava tanto ou era tão cheio de silêncios, mas acho que no fim das contas dava na mesma, não me acrescentou nada de interessante. Então não acho que perdi grandes coisas não. Sempre fui eu a pessoa que corria atrás e que demonstrava interesse. Não sei porque perdi tempo nesse relacionamento, mas isso me fez perceber que sou boa demais para você (e você foi um otário por ter me deixado ir) e só tenho isso a dizer sobre nós: Perda de tempo. Você não me acrescentou nada e ainda me fez sofrer, que desperdício. Você não me merecia.
                Mas confesso que muitas dúvidas surgiram. Coisas que não se encaixam. E penso que a resposta é só por você ser um cara escroto mesmo, o que faz muito sentido, na real. Acho que só um idiota como você terminaria um relacionamento que estava dando certo como o nosso, sem brigas, alinhado, respeitoso, passional. Só um idiota como você pra dizer que queria retomar o relacionamento e iria tentar novamente para 1 mês depois dizer que não estava preparado para um relacionamento sério enquanto engravidava uma outra mulher (não precisa ser um gênio para saber que entre setembro e junho tem exatamente 9 meses e juntar as peças pra perceber que você queria mesmo era carne nova. Você é só um mentiroso mesmo.), só um cara muito escroto filho da puta pra se ressentir porque a ex terminou por ter enjoado de você, quando você fez a mesma coisa comigo e foi um covarde pra assumir que foi por isso que você terminou comigo (e muito provavelmente me traiu). Mas enfim, de uma coisa tenha certeza, eu tenho a consciência muito limpa e sei que não fiz nada de errado. E se você ou a sua família acharem que eu te pressionei, o que seria desonesto da parte de vocês, quero que vocês se explodam. Estávamos na mesma página, em acordo com tudo o que estávamos planejando e nunca fui de me impor ou te silenciar.
                Agora te digo isso: Bem feito. Sempre que fico sabendo algo de você, eu gargalho muito. O carma sempre vem cobrar o seu preço. Você pirou quando estávamos juntos, a sua ansiedade foi bem escrota contigo porque você é um fracassado que não sabe lidar com o mínimo de esforço vindo da sua parte. Também pudera, você fracassou na UNEB por puro descaso com a oportunidade que teve, você desprezou o emprego que tinha e ao mesmo tempo percebeu o quão nada recompensador é trabalhar na sua área e sei que isso que te deixou daquela forma, choque de realidade te fez entrar em colapso, porque era muito desgastante trabalhar e estudar ao mesmo tempo e quando você se deu conta que teria que retomar essa rotina logo após o período de férias, você pirou. Mas de alguma forma, você conseguiu colocar a culpa em cima de mim e me puniu por isso. Pois vá a merda! Agora veja você, desempregado, com tudo perdido e pai de uma criança após pouquíssimo tempo se envolvendo com a mãe dessa criança (e se você usa a carta de que vocês eram amigos antes, me desculpa, mas há um abismo entre gostar de alguém como amigo e fazer um filho nessa pessoa sem nem ao menos aproveitar o relacionamento amoroso), me pergunto se você retomou e concluiu a faculdade, mas acho que não, e com um filho de 6 meses sem poder sustentar, provavelmente recebendo ajuda da família enquanto fica fazendo concursos enquanto não consegue um emprego (se é que você está procurando, deve se achar e querer algo “à sua altura”. Seu filho tá aí já, você deveria tá colocando currículo em qualquer lugar, conseguindo qualquer dinheiro, assumindo um mínimo de responsabilidade... mas pedir que você encare a realidade é esperar demais de você). E você e a sua atual ao menos moram juntos? Qual o suporte que você dá a ela? Ou ela está tendo que lidar com o sobrecarrego da maternidade praticamente sozinha? O mínimo que vocês deveriam fazer era morar juntos, em um lugar só de vocês, com condições de sustentar uma família, dividindo as responsabilidades que é criar um filho. Mas imagino que deve ter muita gente passando a mão na sua cabeça, coitadinho. E vamos combinar, você é digno de pena mesmo. Como que você jogou fora tanta coisa? Como que você chegou a esse ponto? Me pergunto se você ao menos avalia isso, se você percebe o que perdeu (não só comigo, mas os estudos, o emprego...). Estávamos construindo algo bom, algo concreto. E você jogou fora isso. Que pena para você, que libertador para mim. E se você acha que o seu filho tá dando trabalho agora, isso é só a ponta do iceberg. Você nunca mais será você, você sempre será o pai de Rafael, o seu suor, o seu trabalho, o seu dinheiro vai ser tudo para ele.
                E sim, estou muito bem no MEU apartamento, ganhando o MEU dinheiro e pagando as contas em dia, aproveitando a vida do jeito que EU gosto e no ritmo que EU quero, bem dona de mim. E se um dia as coisas melhorarem para você, quero que você se lembre desse momento, desse ponto, de como você foi escroto comigo e como a vida veio e te deu um tapão na cara bem merecido. E também que apesar desse desabafo, eu realmente não sinto ódio de você, nem falta, nem nada. Mas sinto um alívio enorme de ter você bem longe da minha vida.
                Espero que a sua mulher esteja bem, não desejo mal a ela (até porque nem a conheço direito, mas não entendo esse “acidente”, que deve ter sido culpa sua mesmo, ansioso pra enfiar o pau no primeiro buraco que se voluntariou), tenho mesmo muita pena dessa roubada que ela se enfiou (ainda fazendo faculdade, não sei se empregada. Acho que esse não era o momento – talvez fosse o desejo dela, mas não o momento) e espero mesmo que você possa dar o melhor ao seu filho que não tem culpa do pai patético que tem.
                Quando der eu pego o meu netbook e a minha toalha e assim não teremos mais vínculo nenhum e da próxima vez seria bom a gente nem se falar mais quando nos cruzarmos, agirmos  como dois estranhos, até porque é o que somos agora né? Não tenho mais vontade nenhuma de ter você na minha vida, nem te tenho mais no face, você realmente não me adiciona nada e não faz falta nenhuma.
                Se você quiser demonstrar um mínimo de decência e explanar as minhas dúvidas, faça isso. Mas também se não falar nada, foda-se, não estarei surpresa. Seria esperar muito de um covarde escroto que você é.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Reflexões sobre ditadura da beleza e auto-imagem



          Sempre tive problemas com auto-estima e isso me afetou muito sobre a minha projeção para as pessoas, mesmo não tendo nada de errado comigo, inclusive admito que fui bastante privilegiada, o que me faz me questionar porque esse problema sempre me afetou. A verdade é que passamos por um mal que está tão enraizado em nossa cultura que não conseguimos nos desassociar daquela imagem que deveríamos ter e não apenas nos cobrando muito como somos reguladas e cobradas, inclusive constantemente humilhadas (sendo pelo assédio sexual que sofremos quanto pelo bullying e pressão que vem de todos os lados). A questão é: O que seria isso e como isso nos afeta desde que nascemos? Estou falando da ditadura da beleza, que é apenas mais um galho do patriarcado e isso destrói a auto-estima da mulher de tal forma que passamos a vida INTEIRINHA tentando alcançar esse padrão ou mantê-lo, nos recusando a comer, usando roupas que hora nos hiper sexualizam, hora nos cobre por inteiro, nos enchendo de cremes, maquiagem, produtos de beleza. E pra quê? Quem realmente se beneficia disso?
            Voltando a questão da auto-imagem e auto-estima, percebi que problemas como a gordofobia e anorexia, apesar de parecerem tão distantes (um é um problema social de como a sociedade não está adaptada pra lidar com o sobre peso das pessoas – uma parcela consideravelmente alta da sociedade – e como as pessoas querem regular o peso das pessoas, sendo muitas vezes maldosas e preconceituosas – porém não é o meu lugar de fala e essa é apenas uma ideia superficial que tenho desse problema, desculpem se falei merda; o outro é um problema de auto-imagem que acaba afetando e distorcendo a mente de quem sofre isso, a ponto da pessoa parar de comer e chegar a níveis extremos de magreza a ponto de morrer – sei que é mais complexo do que isso) são sintomas dessa mesma ditadura e apesar de homens também sofrerem com esses problemas, atingem muito mais as mulheres. Fato é que nenhuma mulher está satisfeita com o seu corpo.
            Talvez essa seja uma forma ingênua de ver o mundo, ou muito simplificada, essas são questões que sempre me incomodaram, porém apenas recentemente pude de fato compreender o que está por trás disso. Mas como melhorar esse problema? Bom, não saberia dizer. Mas sei como isso tem mudado em mim, porém isso seria levar pro campo do individualismo. Vamos lá: Primeira coisa é compreender que não tem nada de errado conosco, somos diferentes e existem variadas formas de corpo, temos sim muitos pelos, celulite, estrias, varizes, flacidez, nossas vaginas bem de várias formas e cores e não tem nada de errado com isso (errado é nos mutilarmos e darmos dinheiro pra indústria de cirurgia plástica e farmacêutica desnecessariamente), envelhecemos e não tem nada de mais natural nisso. O ideal seria não consumirmos o que a ditadura da beleza nos empurra: cosméticos, maquiagem, suplementos, dietas (não me refiro às dietas balanceadas que são muito importantes pra nossa saúde, comam de tudo e comam o que quiserem. Me refiro às dietas malucas que prometem emagrecimentos rápidos e que são muito prejudiciais), marcas, revistas de beleza, moda, etc.
            Mas como disse,  isso tudo fica no campo do individualismo. É importante procuram conscientizar as pessoas, mostrar que não tem nada de errado com elas, que ninguém precisa fazer parte desse padrão. Mais importante ainda, não culpabilizar as pessoas que não conseguem sair disso, que se sentem mal com os seus corpos, que acham que precisam entrar nesse padrão para estarem bem com elas mesmas. Isso está muito enraizado na nossa cultura, e já foi implantado desde quando nascemos. Não levem pro lado pessoal, não achem que a pessoa ao se criticar esteja dando indireta pra você, a pessoa está tão fodida com as suas neuras que nem se dão conta que essa neura faz parte de nós, é social. Ao fazer essas coisas você não muda a cabeça de ninguém, apenas silencia e faz com que a pessoa se sinta mal. Plantem a sementinha e deixe que floresça no seu próprio tempo.
            E sim, existe um movimento enorme pra que nós mulheres passemos a nos aceitar como somos. Estamos avançando nesse ponto. Porém acho triste que a mesma indústria que quer nos padronizar se utilizem desse discurso pra vender produtos. Não se deixem enganar por esses discursos. E saibam que feminilidade não é natural, é um imposição social que nos aprisiona.
            O texto está bem superficial mas espero ter ajudado de alguma forma.

Priscila de Athaides – 13/11/2017

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Estagnada



Eu não perdoo os teus pecados,
Isso está fora do meu controle.
Procuro justificar os teus atos
Respondendo perguntas sem verdades
Que me remoem em sentimentos vãos.

Os nossos planos interrompidos
Me invadem em psiques noturnas
Criando histórias que não sobrevivem
À pálida luz do amanhecer
Que desfalecem ao tocar os pés no chão.

Eu não me reconheço
Nas histórias que me invadem,
Elas apenas me impedem de caminhar
Me sufocando nessa prisão mental
Que me comprime em ecos.

A sua voz ainda sussurra
Em minha mente letárgica,
Mentiras que não me pertencem
E me imergem em memórias criadas
Sem resoluções que me satisfaçam.

Sopro ao mundo os meus tormentos
Que não me deixam prosseguir
E não me fazem retornar
Anestesiada nessa rotina sem ciclos
Amargando-me em futilidades que me isolam.

Espero que o tempo me invada a mente
Com as ondas desse mar profundo
Assim como em outras histórias que se foram
Afogadas no esquecimento
Que já não me desperta mais.

Priscila de Athaides – 29/08/2017

quarta-feira, 22 de março de 2017

Garoto, Interrompido



Eu sei do seu desespero,
Do quanto a sua decisão te pesa,
De como o seu caminho tem te torturado.
Os seus silêncios são maquinados,
Os seus passos carregados
E o seu destino desviado.

Eu continuo seguindo
Sempre certa de tudo o que fiz.
Minhas escolhas pensadas,
Meus desejos conquistados,
Meu destino cerrado em minhas mãos.

Eu sei dos tormentos da sua mente inquieta,
Da maquiagem na sua felicidade fingida,
Do quão destruidor tem sido as consequências
Daquilo que todos disfarçam de bênção.

Eu te encaro com escárnio,
A sua danação me diverte.
Talvez a única coisa que me pese
É me sentir vingada pelo que o destino revelou
Àquele que tanto me destruiu por um momento
Ter por todo o tempo
Uma vida que se dilacerou.

Priscila de Athaides - 22/03/2017

À ti, que não estás mais



Nunca fostes o meu favorito
Por vezes te fiz inimigo
A nossa fúria nos opondo,
Silenciosos nos contemplando

Sempre quis estar à sua altura
Seguindo a minha vida segura
Fostes sempre o meu norte
Meu amuleto de sorte

O teu sorriso orgulho me preenchia
De certezas no caminho que se seguia
Agora me sinto parada no tempo
Sentindo falta da segurança do seu alento

Mas ainda te tenho em sonho
Seguindo em vida, risonho
E te sinto ainda ao meu lado
Com um sentimento menos amargurado

Levo-te sempre no pensamento
Confortando-me nesse vazio turbulento
E se eu pudesse voltar atrás
Desfaria os nossos temporais

Priscila de Athaides – 22/03/2017