sexta-feira, 16 de março de 2018

A senhora da escuridão


Sinto de mim a escuridão mover-se
Entranhando os teus pensamentos em podridão
Remoo as tuas verdades obscurecidas
Transmuto as tuas certezas em percursos vãos.

Eu enxergo o véu vibrando em nosso mundo
A frágil linha que nos costura a visão
Que distorce as imagens deste universo ecoado
Enraizando-se em nossos passos com lentidão.

E de trevas o meu redor é constituído
Desviando os que me transpassam em desalento
Com as minhas vibrações insólitas eu os debilito
E nada sobrará daqueles que por aqui disperso.

Eu intoxico os teus pulmões e peso em teus corpos
Tornando a respiração insuportável e corpulenta
E já não sobrará mais nada que a vós pertença
Pois já suguei dos teus cernes a lucidez em vós concebida.

Priscila de Athaides – 16/03/2018

domingo, 11 de fevereiro de 2018

No longer be



Mamma, I wanna die.
I don’t feel like I belong here,
I never did.
I feel like my words are poison
And my existence, rotten.
I've been walking through life ignored
And It doesn’t matter how many time I say it...
No one cares, because no one knows what to do.
It’s too heavy to deal with me
And it’s hard to be something else
I am sadness and abandonment.
So, mamma, what’s the point?
I’m tired of feeling this way
And I feel like my emotions are gone.
I live in this empty shell
Waiting and waiting for the day I just am not
Because I’m too coward to do something about it.
Maybe soon enough I’ll just lie here and no longer be...

Priscila de Athaides - 11/02/2018

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Estagnada



Eu não perdoo os teus pecados,
Isso está fora do meu controle.
Procuro justificar os teus atos
Respondendo perguntas sem verdades
Que me remoem em sentimentos vãos.

Os nossos planos interrompidos
Me invadem em psiques noturnas
Criando histórias que não sobrevivem
À pálida luz do amanhecer
Que desfalecem ao tocar os pés no chão.

Eu não me reconheço
Nas histórias que me invadem,
Elas apenas me impedem de caminhar
Me sufocando nessa prisão mental
Que me comprime em ecos.

A sua voz ainda sussurra
Em minha mente letárgica
Mentiras que não me pertencem
E me imergem em memórias criadas
Sem resoluções que me satisfaçam.

Sopro ao mundo os meus tormentos
Que não me deixam prosseguir
E não me fazem retornar
Anestesiada nessa rotina sem ciclos
Amargando-me em futilidades que me isolam.

Espero que o tempo me invada a mente
Com as ondas desse mar profundo
Assim como em outras histórias que se foram
Afogadas no esquecimento
Que já não me desperta mais.

Priscila de Athaides – 29/08/2017

quarta-feira, 22 de março de 2017

Garoto, Interrompido



Eu sei do seu desespero,
Do quanto a sua decisão te pesa,
De como o seu caminho tem te torturado.
Os seus silêncios são maquinados,
Os seus passos carregados
E o seu destino desviado.

Eu continuo seguindo
Sempre certa de tudo o que fiz.
Minhas escolhas pensadas,
Meus desejos conquistados,
Meu destino cerrado em minhas mãos.

Eu sei dos tormentos da sua mente inquieta,
Da maquiagem na sua felicidade fingida,
Do quão destruidor tem sido as consequências
Daquilo que todos disfarçam de bênção.

Eu te encaro com escárnio,
A sua danação me diverte.
Talvez a única coisa que me pese
É me sentir vingada pelo que o destino revelou
Àquele que tanto me destruiu por um momento
Ter por todo o tempo
Uma vida que se dilacerou.

Priscila de Athaides - 22/03/2017

À ti, que não estás mais



Nunca fostes o meu favorito
Por vezes te fiz inimigo
A nossa fúria nos opondo,
Silenciosos nos contemplando

Sempre quis estar à sua altura
Seguindo a minha vida segura
Fostes sempre o meu norte
Meu amuleto de sorte

O teu sorriso orgulho me preenchia
De certezas no caminho que se seguia
Agora me sinto parada no tempo
Sentindo falta da segurança do seu alento

Mas ainda te tenho em sonho
Seguindo em vida, risonho
E te sinto ainda ao meu lado
Com um sentimento menos amargurado

Levo-te sempre no pensamento
Confortando-me nesse vazio turbulento
E se eu pudesse voltar atrás
Desfaria os nossos temporais

Priscila de Athaides – 22/03/2017