quarta-feira, 22 de abril de 2009

Instinto

Eu tenho a inquietação da poesia
Mergulhando entre corpos para roubar a essência.
Nos mil sorrisos encontro respostas
Ditadas em mil faces de gozo.
Corpos cortados em pinturas desfocadas:
Eva, Vênus, Monalisa!
Eu sou a musa das fantasias,
Pandora liberando o caos,
Desfazendo histórias como um vórtice,
Desmanchando-me no ar
Para me imprimir em palavras.
Sou fingidora,
Volúvel dissimulada,
Porque respondo a pele, ao toque, ao meu nome:
Instinto!
Passeio em seus lábios sem pudor,
Suspirando para pensares que te pertenço,
Me pertences como uma história passageira,
Chama fadada a cinzas,
És eu
Meu
Sua...
Goze em mim, goze de mim enquanto podes...
Amanhã despertarás vazio,
Pois já não mais estarei
E descobrirás o que sou
Nas linhas da minha vulgar poesia.

Priscila de Athaides – 21/04/2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Miragens lúcidas


No espelho do meu banheiro
Tem um homem com uma coruja na barriga
E ela canta para mim.
Eu não consigo ver os seus sentimentos
Você consegue mantê-los?
Acho que já é noite,
Mas o sol me cega,
O sono me disse que não queria ficar,
Eu disse que tudo bem, só não me deixe aqui.
Acho que vou te guiar para aquele abismo ao luar
São 12 horas da noite e a lua está amarela,
Você pode escutar o oceano?
São as meninas do mar que cantam
No topo daquele carrossel.
Eu quero flutuar em suas águas gélidas
Mas as suas pedras cortaram os meus pés,
Acho que dissolvi...
Melhor subir naquela árvore até secar,
Hoje tem gigantes no mar.

Priscila de Athaides - 17/02/2009

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Os seus dedos

Dedos, tirem-me daqui!
Hoje eu quero esse vermelho
Que mancha os seus dentes,
Quero essa escrita exposta,
Os seus dedos pequenos.
Dedos, tirem-me daqui,
Porque aqui é só vontade,
E o concreto dessa poesia
È o incerto, é um talvez,
Um desejo que silencia,
Um desejo que desperta outro eu.
Dedos que eu sonho
Passeando nessa tecla,
Um minuto é eterno,
Um sim é toda vida em segundos,
Palavras, todas as respostas e perguntas.
Os rostos em meus olhos
Tornam-me enraivecida,
Eu quero esse vermelho só para mim,
E então eu espero,
Porque a pele treme,
O peito dói,
E as palavras enlouquecem
Assistindo o dia que se esvai,
Os olhos machucam a garganta,
Talvez mais tarde, talvez amanhã...
Hoje eu quero ouvir os seus dedos!

Priscila de Athaides - 10/11/2008

sábado, 25 de outubro de 2008

Construtivismo

está confuso:

Conhecimento complexo
Origem ortodoxa
Natureza niilista
Saturação segmentada
Transformação trancendental.
Razão ramificada
Unificação universal
Técnicas temáticas
Interesse interativo
Verdade vórtices.
Inconstante imprenscindível
Seleções sacramentadas
Maleáveis mensagens
Observando orientados.

Priscila de Athaides - 25/10/2008

Paper Bag - Tradução by me

Olhava para o céu
Procurando uma estrela
Para rezar, para desejar
Ou qualquer outra coisa.
Eu estava sonhando acordada,
Pensando em um rapaz,
Que eu sabia não ter chances.
Então o pombo da paz
Começou a descer lentamente,
E por um momento acreditei
Que minhas chances aumentavam.
Mas quando se aproximava,
Assim desciam as minhas lágrimas.
Eu achava que era um pássaro,
Mas era apenas um saco de papel

A fome dói,
E eu o quero tanto que me mata,
Pois eu sei que sou uma confusão
Que ele não quer arrumar.
Eu tenho que me concentrar
Já que suas mãos são importantes demais
Para apertar.
A fome dói, mas é necessária,
Quando se custa muito amar

E eu enlouqueci novamente hoje
Procurando me apegar a algo,
Procurando por um pouco de esperança.
Meu amor disse que não poderia ficar,
Não poderia me beijar,
E falhar beijar é falhar em lutar.
Eu disse: “Querido não me sinto bem,
Não me sinto justificada.
Venha aqui e coloque um pouco de amor
Em meu vazio.”
Ele disse: “Está tudo na sua cabeça!”
E eu disse: “Assim como tudo...”
Mas ele não entendeu.
Eu achei que ele era um homem,
Mas ele era apenas um garotinho.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Releitura: Ausência

O desejo de te amar
Vou deixar que acabe em mim
Porque sinto que meu esforço
Será em vão.
Tu te tornaste
A minha própria pessoa
E eu sinto que em meu gesto
Existe o teu gesto
E em minha voz,
A tua voz.
Não te quero ter
Porque tudo aquilo em que acreditei
Seria desperdiçado
Quero que sejas apenas o meu nada.
Deixarei que se vá
Assim encontrarás outros amores
Beijarás outros lábios
E serão outros corpos que irás amar.
Mas aquela que tanto te amou, fui eu
Porque foi com o teu amor que sonhei
Porque beijei outros lábios pensando em ti
E amarei outros corpos como se fossem o teu
E fui eu que em face a solidão
Me deixei desejar isso
Mesmo sabendo que de ti nada teria.
Ainda assim
Eu fui aquela que mais te teve
Porque todo o silêncio
Todas as canções
Todas as lágrimas
Serás tu, em mim

Priscila de Athaides – 10/04/02

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Dissolved Girl

http://br.youtube.com/watch?v=GAiceRuLX1I

Shame, such a shame
I think I kind of lost myself again
Day, yesterday
Really should be leaving but I stay

Say, say my name
I need a little love to ease the pain
I need a little love to ease the pain
It's easy to remember when it came

'Cause it feels like I've been
I've been here before
You are not my savior
But I still don't go

Feels like something
That I've done before
I could fake it
But I still want more

Fade, made to fade
Passion's overrated anyway
Say, say my name
I need a little love to ease the pain
I need a little love to ease the pain
It's easy to remember when it came

'Cause it feels like I've been
I've been here before
You are not my savior
But I still don't go, oh

I feel live something
That I've done before
I could fake it
But I still want more, oh.