Em mim tens moradia
Que transita em concretos mutáveis,
As vezes me invades como a um barraco,
E as vezes alugas o meu tempo infinito
Em uma pensão de mil espaços.
Então me trancas, engavetada,
Como em um apartamento compacto,
Me tornando mezanino
Suspendida em seus altos e baixos.
As vezes me isolas como um sobrado,
Não estando comigo, ainda que ao meu lado,
Fazendo de mim temporada
Vivida em uma longínqua chácara.
E finalmente retornas ao meu alcance,
Vivendo em mim o lar
Da sua doce casa de sonhos.
Priscila de Athaídes – 22/04/2010